ADEGAS SUBTERRÂNEAS EM TERRENO ROCHOSO ~ Restauranter

ADEGAS SUBTERRÂNEAS EM TERRENO ROCHOSO

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ADEGAS SUBTERRÂNEAS EM TERRENO ROCHOSO

A viabilidade e o projeto de instalação de um duto de ar em uma adega de pedra em regiões de clima muito quente demandam cuidados técnicos específicos. A pedra traz excelentes propriedades de massa e inércia térmica, mas em climas de calor extremo ela pode atuar como um acumulador de calor se a troca gasosa com o exterior não for rigorosamente controlada.

Os três principais desafios da adega de pedra em clima quente são:
  • Inércia Térmica da Pedra: Paredes e estruturas de pedra demoram para aquecer, mas, uma vez aquecidas pelo ambiente externo, demoram igualmente para resfriar.
  • Entrada de Ar Quente: Um duto simples de ventilação natural que puxe ar diretamente de fora em uma região quente destruirá o microclima interno, elevando a temperatura para além dos 12 °C a 16 °C ideais e reduzindo a umidade necessária (60% a 70%).
  • Condensação nas Paredes: O choque entre o ar externo quente e úmido e as superfícies frias da pedra pode gerar condensação excessiva, favorecendo o aparecimento de mofo e danificando os rótulos das garrafas.
Uma opção eficiente é o Duto Integrado a Sistema de Climatização (Split Wine Dedicado). Em áreas tropicais e quentes, a ventilação natural por duto isolado costuma ser insuficiente, exigindo um sistema mecânico dedicado:

Conceito: O duto conecta a adega a um climatizador específico para adegas (diferente de um ar-condicionado residencial comum, que retira o excesso de umidade e oscila muito a temperatura).

Distribuição de Ar: O duto insufla ar frio e estabilizado no topo da adega (aproveitando o fluxo descendente) e um duto de retorno retira o ar mais quente da parte superior ou oposta.

Qualidade do Ar: O sistema de dutos deve contar com damper de renovação de ar (admitindo um percentual reduzido de ar renovado e filtrado) para evitar o represamento de odores sem comprometer a carga térmica.

É fundamental atentar-se aos cuidados técnicos no projeto:

Isolamento Térmico dos Dutos: Devem ser feitos preferencialmente em aço inox e isolados termicamente.

Gestão da Umidade Relativa: Manter uma velocidade controlada de troca de ar para evitar a desidratação das rolhas.

Filtragem de Ar: Utilizar carvão ativado para impedir que cheiros fortes ou poluentes contaminem a evolução aromática das garrafas armazenadas.

Estanqueidade: Vedar adequadamente as passagens do duto nas paredes de pedra, evitando infiltrações de umidade provocadas pelo choque térmico e preservando a estabilidade do ambiente.

A utilização de dutos para climatização dedicada (com controle fino de umidade) ou a sua combinação com resfriamento geotérmico subterrâneo representa a forma ideal de aproveitar a estética e a massa térmica da pedra, mantendo o ambiente propício para a guarda e o amadurecimento contínuo dos vinhos.

MAURICIO GOULART

“Mauricio Goulart Ferreira mora em Palmas-TO desde 2000, Administrador, Bacharel em Ciências Contábeis, MBA em Liderança e Coaching na Gestão de Pessoas, Pós em Enologia e Pós em Gastronomia atua nos maiores empreendimentos do setor gastronômico do estado e desenvolve projeto de consultoria e de assessoria com foco no atendimento a clientes.”

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