quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MARAPUZINHO NA CULINÁRIA

(3644) O Restauranter:

 MARAPUZINHO NA CULINÁRIA



MARUPAZINHO (Eleutherine plicata Herb ou Eleutherine bulbosa) Lembra uma cebola roxa, mas seu sabor remete à cebolinha verde, sem a picância. É utilizada como ingrediente culinário nas cozinhas do Vale do Ribeira, porém seu uso mais difundido é como planta medicinal para problemas gástricos, entre outras funções.


 
No livro "Plantas Medicinais no Brasil - Nativas e exóticas", do Harri Lorenzi e F.J. Abreu Matos, a espécie, conhecida também como marupari, marupazinho, marupá-piranga, palmeirinha, lírio-folha-de-palmeira ou wá-ro, é descrita como herbácea bulbosa e rizomatosa, nativa da América tropical, incluindo os campos secos da Amazônia brasileira. Os autores falam da facilidade de se multiplicar através dos bulbos tornando-se erva-daninha, fala que durante o inverno, nas regiões sul e sudeste, ela perde a parte aérea (quando seca, é hora de colher, segundo a Sueli, e não precisa mais plantar, que sempre sobrarão batatinhas no solo). Dizem que o hábito de usar a planta como medicina caseira vem dos índios - para diarreia, problemas gástricos e vermes, entre outros usos -, e que não tem comprovação científica.

E saber que em algum lugar do mundo, além do Vale do Ribeira, se come esta planta foi um consolo. Descobri que na Ilha de Borneu (Malásia e Indonésia) o bulbo pode ser usado na cozinha como uma cebola selvagem. O único nome que descobri para ela foi "bawang tiwai", que quer dizer "cebola tiwai". Mas novamente tudo o que achei com este nome tratava do assunto fitoterapia. Imagino que haja outros nomes asiáticos com que possamos encontrar mais referências do ingrediente na cozinha.
  
                                                                                       Confite de Marapuzinho

Enquanto não descubro, encontrei uma receita que indicava cozinhar em água e sal. A água ficou com uma coloração linda e o bulbo com consistência macia, mas densa sem ser crocante como uma cebola crua nem mole como uma cebola cozida. O sabor é especial, lembra muito de longe uma cebolinha verde, mas sem a picância. Apenas um quê de amargo. Eu gostei muito. Um tanto, plantei no quintal. Outro, usei para o arroz e o confitado no azeite. Agora é esperar a produção e mais pesquisas. Uma sugestão para alunos de nutrição, biológica, química, bioquímica, engenharia de alimentos. Lembrando que muitas dos nossos alimentos são também medicamentos ou alimentos funcionais. 

MAURICIO GOULART

“Mauricio Goulart Ferreira, natural do Rio de Janeiro, mora em Palmas - TO desde 2000, atuando nos grandes empreendimentos do setor gastronômico do estado e atualmente desenvolve um projeto de consultoria e de assessoramento com foco no atendimento a clientes.”

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